terça-feira, 26 de agosto de 2008

PIOLHOS !!!

Anabela Baptista, Enfermeira Especialista S. Infantil do C.S. de Eiras


Podem acontecer em qualquer cabeça.
Independente da raça, idade ou estrato social.
Em cabelos limpos ou sujos porque não tem apenas a ver com a falta de higiene.
É quase sempre pela comichão que se dá pela sua presença. Mas o facto de ter comichão na cabeça não implica que se tenham piolhos, tem de se verificar se eles lá se encontram. Com a ajuda de uma luz forte deve ser observada a cabeça com especial cuidado na nuca e atrás das orelhas.
Os piolhos não saltam nem voam mas parece que disso são capazes à velocidade com que se propagam. Especialmente entre crianças que tocam frequentemente com as cabeças umas nas outras e porque partilham objectos pessoais como escovas, pentes, chapéus e locais de dormir ou de encostar, os piolhos rapidamente encontram novas cabeças para viver.
Os piolhos são parasitas que necessitam do homem para sobreviver. Necessitam do sangue para se alimentarem e nas pequenas picadas que fazem para o sugarem injectam a sua saliva que contem um produto anticoagulante que funciona como um alergeno e é o que nos provoca a comichão.
Multiplicam-se muito rapidamente (cerca sete a dez dias), através de lêndeas (oito ovos por dia/por cada piolho) que se fixam nos fios de cabelo.
Assim, perante uma pediculose (infestação por piolhos) tem de se tratar:
- Aplicando um champô, creme ou loção anti parasitária respeitando as suas indicações,
- Pentear com um pente apropriado, para remover os piolhos e as lêndeas,
- Quando for aconselhado uma segunda aplicação deve-se esperar sete a dez dias entre as duas aplicações.
Podemos prevenir o contágio se conseguirmos:
- Evitar a partilha de escovas, pentes, chapéus e outros artigos que tenham contacto directo entre cabeças,
- Verificarmos os cabelos, sobretudo o das crianças, com alguma regularidade,
- Lavar as roupas das camas, escovas e pentes de cabelo em água bem quente (60º),
- Ao encontrar piolhos ou lêndeas na cabeça da sua criança alertar a escola ou núcleo onde ela se encontra inserida para evitar uma maior propagação.

Primeiros Socorros





Juliana Paciência, Aluna da Especialidade de Enfermagem em Saúde Comunitária C. S. Eiras

1ºs socorros, são uma série de procedimentos simples com o intuito de manter vidas em situações de emergência, os quais, na maioria das vezes salva e/ou diminui o sofrimento do acidentado, podendo ser feitos por qualquer cidadão desde que esteja capacitado para tal e com o equipamento mínimo, mantendo a vítima viva até a chegada de atendimento médico especializado.
É essencial informar as autoridades, devendo para o efeito ser directo e preciso sobre as condições da(s) vítima(s) e o local da ocorrência.
Toda a pessoa que estiver a realizar um atendimento de 1ºs socorros deve, antes de tudo, ter em atenção a sua própria segurança. O impulso de ajudar as outras pessoas não justifica a tomada de atitudes inconsequentes, as quais podem acabar transformando-o em mais uma vítima ou comprometer ainda mais a saúde do socorrido, provocando ainda mais lesões ou agravar as já existentes.
Existe uma manobra simples, que pode salva a vida quando um corpo estranho bloqueia a passagem de ar para os pulmões levando à asfixia, manobra essa denominada de Heimlich. Deve ser utilizada quando existem sinais de “engasgamento”, tosse, agitação e ou confusão. A vítima não consegue falar nem respirar e a sua pele, passado algum tempo, pode mudar de cor (cianose).
Deve-se abraçar a pessoa por detrás e colocar-se em posição de equilíbrio, colocando a mão em punho fechado entre as costelas e o abdómen, agarrando-a com a outra mão. Puxe a pessoa para cima na sua direcção, rápida e vigorosamente, repetindo os movimentos até que o corpo estranho seja expulso.
Esta manobra pode ser utilizada com a pessoa sentada ou deitada.
Caso se encontre sozinho e se sinta a asfixiar, tente aplicar a manobra a si mesmo ou com a ajuda do encosto de uma cadeira, de modo a que este se situe entre as costelas e o seu abdómen.
Se tiver perante um pessoa a desmaiar, então deve deita-la com a cabeça de lado e elevar as suas pernas, desapertar-lhe as roupas e mantê-la quente.
Em qualquer circunstância devemos ligar 112 e colocar a vítima em Posição Lateral de Segurança (P.L.S.), nunca dando nada a beber.
Esta posição permite uma melhor ventilação libertando as vias aéreas.
Esta manobra executa-se com a pessoa deitada, sendo que o socorrista ajoelha-se ao seu lado colocando-lhe a cabeça em hiper-extensão (para trás) e de lado, ao mesmo tempo que posiciona o braço do lado para onde se virou a cabeça, ao longo do corpo, flectindo a coxa do outro lado (contra-lateral).
As mãos do socorrista seguram no ombro e atrás do joelho oposto, rodando lentamente e em bloco o corpo, tendo sempre atenção aos movimentos torácicos, ouvindo os sons respiratórios e sentindo o ar expirado da vítima, a cada 10 segundos.
É imprescindível prudência na mobilização da pessoa / vítima, quando se ignoram os factos que desencadearam a situação, em particular se houver suspeita de lesão da coluna cervical.
NA DÚVIDA, CONTACTE O Nº 112

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA: QUEM CALA CONSENTE...



Andreia Rocha, Enfermeira Graduada do C. S. de Eiras

“A violência doméstica mata mais mulheres do que o cancro”; “Em Portugal, registam-se 5 mortes por mês, colocando... acima da média mundial”; “...anualmente, quase 60 mulheres são mortas pelos seus companheiros”...

Estes são apenas alguns dos números associados à violência doméstica no nosso país. Contudo, este não é um problema exclusivamente nacional, nem tão pouco um fenómeno novo. De facto, sempre existiu, associado à desigualdade entre os sexos. Hoje é um problema com maior visibilidade devido à redefinição dos papéis do homem e da mulher na sociedade e da valorização desta última.
O que é, então, a violência doméstica? Trata-se da violência que ocorre no seio de uma relação íntima ou familiar. Pode traduzir-se por agressões físicas, abusos sexuais, mas também por maus-tratos psicológicos, sendo estes últimos a forma mais frequente de violência e também a que menos é vista como tal.
Nem só as mulheres são vítimas de violência doméstica. Qualquer pessoa, seja qual for o seu estatuto social, económico, cultural, religião ou idade o pode ser. Podem ser homens, idosos, crianças, jovens... podem ser pais, avós, filhos, cônjuges, companheiros ou namorados... mas são sobretudo mulheres! Em Portugal, os dados conhecidos em relação à violência doméstica revelam que 85% das vítimas são mulheres. Por outro lado, 89% destes crimes foram cometidos pelo cônjuge ou companheiro.
Muito raramente a violência doméstica surge como uma situação isolada, pelo contrário, habitualmente ocorre durante anos seguidos, com repercussões muito graves para a saúde física e mental das mulheres.
A prevenção desta situação tem a ver com cada um de nós e com a sociedade em geral. Passa pela educação dos jovens, promovendo valores como a igualdade de direitos e a cidadania.
Podem também suspeitar-se de potenciais agressores através de alguns sinais de alerta, nomeadamente:
· Grande possessividade, controlo e interferência no dia-a-dia e nas relações da mulher;
· Desvalorização da mulher, desautorização e insultos em público;
· Condutas violentas anteriores com outras mulheres;
· Acessos de fúria repentinos e sem sentido;
· Forma rígida de pensar, convencido de que tem sempre razão;

Romper com uma relação violenta não é fácil, exigindo uma grande dose de coragem e um apoio familiar e social sólido. Implica enfrentar o medo, a vergonha, a descriminação. Mas uma vez conseguido, a mulher é livre para começar uma vida nova, para si e para os seus filhos.
Também as pessoas violentas devem tomar a iniciativa de procurar ajuda afim de modificar o seu comportamento.
Em Portugal, desde 2000 que a violência doméstica é considerado crime público, isto é, qualquer pessoa que tenha conhecimento da sua existência, pode e deve denunciá-lo. Ficar calado é ser conivente com a sua existência.
Informe-se no seu Centro de Saúde.

Antes que o cancro chegue…




Dina Martins, Medica Interna do Internato complementar no Centro de Saúde de Eiras



Com o aumento da esperança de vida e o envelhecimento da população, as causas de morte têm vindo a modificar-se ao longo do tempo. De facto, tem-se vindo a assistir ao aumento da mortalidade por cancro, consistindo esta a segunda causa de morte em Portugal.
Felizmente, a evolução da Medicina conseguiu criar formas de detectar precocemente muitas destas doenças.
Os rastreios consistem na realização de exames à população saudável, com o objectivo de diminuir o número de novos casos e a mortalidade por cancro. Quanto mais precoce for a identificação da doença, maior a probabilidade de cura. Daí que seja fundamental a adesão a este tipo de exames, mesmo que não se sinta doente!
Em Portugal faz-se o rastreio do cancro:
- da pele: a toda a população;
- da mama: através de mamografia a partir dos 45 anos de idade e até aos 69 anos. Podem ser feitas ainda uma mamografia entre os 35 e os 40 anos e uma segunda entre os 40 e os 45 anos. Enquanto não tem idade e no intervalo dos exames, deve realizar mensalmente o auto-exame da mama.
Para saber como o efectuar peça informação à sua equipa de saúde
- do colo do útero: a todas as mulheres entre os 25 e os 64 anos;
- do intestino / cólon rectal: a partir dos 50 anos a toda a população.
Se já teve problemas ou existam casos na família de cancro, informe o seu (sua) médico (a). Somos todos diferentes e a nossa individualidade poderá justificar uma abordagem distinta.
Há determinadas características pessoais e familiares que constituem um maior risco de poder vir a sofrer de cancro. É o caso de pele e olhos claros, exposição ao sol durante períodos de maior calor e queimaduras solares (cancro da pele), ou existência de casos na família (cancro da mama e do intestino).
Algumas regras básicas que estão na sua mão para ajudar a prevenir o cancro são:
- não fume
- beba bebidas alcoólicas com moderação
- consuma alimentos ricos em fibras, frutas e legumes frescos
- evite o excesso de peso. É importante o exercício físico regular e tenha uma alimentação pobre em gorduras.
- evite a exposição solar em excesso, especialmente em crianças
- participe nos rastreios promovidos e aconselhados pelo seu médico
- faça o auto-exame da mama mensalmente
Apesar de poder recorrer a estes pequenos “segredos”, não se esqueça de consultar o seu médico se:
- notar um caroço ou outra alteração na mama
- não cicatrizar bem de uma ferida
- tiver um sinal que mude de cor ou tamanho
- perder sangue de forma anormal
- tiver um problema de saúde que teime em não melhorar (rouquidão persistente, alteração dos hábitos intestinais, perda de peso sem explicação)
Pela sua saúde, actue… antes que o cancro chegue!

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Medicamentos: E depois de tomados…




Luiz Miguel Santiago, MD Chefe de Serviço no Centro de Saúde de Eiras

Já alguma vez se perguntou sobre o que acontece após engolir um medicamento ou tê-lo colocado na pele? Ou após lhe ter sido injectado ou administrado de uma outra qualquer forma?

Certamente já percebeu que quando tem fome, porque o seu corpo acha que há pouco açúcar a circular, só consegue resolver tal problema comendo. E depois de comer voltará a ter fome daí por umas horas. E se comer demais ou se comer muito poucas vezes por dia, mas comendo muito ou sobretudo certos tipos de alimentos, virá a ter reflexos no seu corpo, nomeadamente um pouco mais de barriga, maior cansaço, pior qualidade de vida e até mesmo, a prazo, outras doenças que podem ser motivadas quer pelo excesso quer pela falta ou carência!

Pois bem: com os medicamentos passa-se exactamente o mesmo!

Quando, por exemplo engole uma cápsula ou um comprimido, este vai para o estômago e daí par o intestino delgado. Tanto num como no outro é absorvido, isto é, entra na corrente sanguínea e com o sangue vai a toda a parte do nosso corpo, ou seja, depois de absorvido é distribuído e, ao ser distribuído, entra em contacto com todas ou quase todas as mais pequenas partes do nosso organismo, onde vai poder modificar algumas funções do corpo - que é o que se pretende que aconteça - no bom sentido entenda-se. Esta actuação do medicamento chama-se farmacodinâmica. Até esta fase tomámos algo que depois de ingerido, foi absorvido e fez efeito!

Ao mesmo tempo que se distribui em todo o corpo, o medicamento, entra em contacto com órgãos que o modificam por forma a que, de apenas misturável em gordura, passe a ser misturável em água, ou seja, o nosso corpo faz aquilo que tecnicamente chamamos de farmacocinética. Assim o medicamento passa a ser eliminado quer pelas fezes quer pela urina, locais onde também muitas vezes é eliminado sem ter sido alterado pelo corpo.

Temos assim duas características importantes da relação entre medicamento e organismo :- o que ele nos faz, a farmacodinâmica e o que nós lhe fazemos, a farmacocinética.

Isto é mais ao menos igual ao que nos acontece com os alimentos.

Só que quando falamos em medicamentos e alimentos, falamos também de muitas outras acções que podemos desencadear no nosso corpo, como por exemplo os remédios caseiros.

Definindo remédio como o produto que se compra na ervanária (o chá), o tratamento de acupunctura, quando toma remédios de médicos de outras medicinas, ou aquilo que prepara em casa segundo receita que lhe deram ou de que soube, é bom saber que estes não são mais que formas de administrar ao corpo substâncias que até são capazes de modificar funções como os medicamentos. Acerca dos remédios, nós não sabemos exactamente quanta substância é ingerida em cada chávena de chá, nem qual o exacto componente que actua, enquanto que no medicamento sabemos isso tudo. E ainda sabemos que muitos dos medicamentos, aquilo que é receitado pelos médicos, até são desenvolvimentos a partir dos remédios, por não haver capacidade de encontrar matéria prima na natureza para a quantidade de substância necessária à industria farmacêutica.

Os menos novos lembrar-se-ão ainda das mais antigas farmácias, onde se arranjavam os linimentos, os manipulados, os xaropes e as pomadas, após a entrega de uma receita feita por um médico. Dava-se a receita e íamos lá, mais tarde, levantar o frasco com um rótulo e um escrito explicativo.

Muitas pessoas tomam remédios e medicamentos, sendo que ambos são transformados pelo nosso organismo ou seja, ambos têm farmacocinética! Por vezes concorrem um com o outro, pelo que podem aparecer sinais e sintomas que se julgam devidos a uma doença nova, mas que afinal apenas são devidos a acções entre eles, o que também acontece com alimentos e outros medicamentos. Assim sendo, a informação ao seu médico de família sobre o que está a tomar, é certamente muito importante para o seu bem-estar e qualidade de vida.


Saúde Oral




Conceição Castro, Enf. Especialista S. Pública do C.S de Eiras

Tendo em conta que o processo digestivo se inicia com a mastigação, uma nutrição adequada está intimamente relacionada com uma boa saúde oral, pois o estado da boca influencia o tipo de alimentos ingeridos e a sua transformação. Das doenças orais mais comuns, a cárie é das afecções mais frequentes em todos os grupos etários.
A cárie dentária pode definir-se como uma doença infecto – contagiosa degenerativa que destrói os dentes, e resulta da interacção de vários factores. A produção de ácidos resultantes do metabolismo das bactérias, a presença de hidratos de carbono refinados e o esmalte dentário susceptível de ser dissolvido pelos ácidos, provocam desmineralização suficiente para permitir uma penetração bacteriana no dente.
Esta patologia, segundo a DGS, (2005) constitui um dos principais problemas de saúde da população infantil e juvenil. Aos 12 anos o número de dentes cariados, perdidos ou obturados é de 2.95 (índice CPO), aos 6 anos apenas 33% das crianças não tem cárie.
O atendimento terapêutico/curativo dificilmente solucionará esta patologia. Para reduzir a sua incidência e prevalência é essencial melhorar os conhecimentos e comportamentos em saúde oral.
Para prevenir a cárie, não é necessário dispor de meios tecnológicos sofisticados, mas sim intervir eficazmente sobre os três principais factores:



- Reduzir as bactérias cariogénicas ou anular a sua capacidade fermentativa da sacarose, através duma eficaz higiene oral. Segundo a DGS, (2005) deve iniciar-se logo após a erupção do 1º dente, 2 vezes por dia após as refeições, e a quantidade de dentífrico fluoretado, deve ser idêntica ao tamanho da unha do dedo mindinho da mão da criança.
É também imprescindível na higiene oral, o uso do fio dentário, que segundo a DGS, (2005) deve iniciar-se por volta dos 8-9 anos, quando a criança começa a ter destreza manual para o manipular.

- Uma alimentação equilibrada com o consumo adequado de todos os nutrientes (proteínas, gorduras, hidratos de carbono, vitaminas e minerais) nas porções recomendadas na roda dos alimentos. E a redução de açucares, bolos e sumos açucarados, especialmente fora das refeições.

- Aumentar a resistência da estrutura dentária aos agentes agressores, através da utilização de bochechos fluoretados a partir dos 6 anos e pastas dentífricas com flúor.A saúde oral constitui um grande problema de Saúde Pública, mas através de medidas simples como as descritas, é possível reduzir o aparecimento da cárie.

domingo, 10 de agosto de 2008

Alergias





António Alegre, Médico do Centro Saúde de Eiras / Director

Introdução

Chegou a Primavera e com ela chegaram também as alergias.
Decorre desta afirmação uma relação de causalidade, manifesta aliás no aumento significativo da procura dos cuidados de Saúde por parte dos utentes/doentes com esta patologia.

Segundo estudos efectuados, estima-se que cerca de 20% das pessoas são alérgicas aos pólens (existentes em maior quantidade nesta época do ano), mas é necessário que, concomitantemente, exista um terreno, predisposição do doente para isso, atingindo a criança, o adolescente, o adulto e até o idoso.

Sintomas

Os principais sintomas são a rinite (como que... nariz entupido), tosse, falta de ar mais ou menos intensa com pieira ou não, espirros frequentes, conjuntivite (patologia dos olhos), asma, etc.)

Na sequência, ou na presença daqueles sintomas podem ocorrer infecções secundárias, as chamadas complicações, como a sinusite, a traqueite e até pneumopatias, algumas delas graves.

É evidente que só pelos sintomas poderemos arriscar um diagnóstico, mas o mesmo só pode ser confirmado pela sua equipa de Saúde.

Não se pode deduzir pelo atrás exposto que só existam alergias com repercussão no aparelho respiratório, pois a nível da pele os reflexos das mesmas podem também acontecer, com manifestações de prurido e urticária, extremamente incomodativas.

Tudo isto tem por base alergenos, ou sejam substâncias que produzem alergias em algumas pessoas e que em determinadas situações, não são nada fáceis de identificar.

Uma pequena História

“Uma senhora que sempre que se deitava na cama com o marido não parava de espirrar, não era necessariamente alérgica ao “after shave” do mesmo, mas, e após vários estudos, era sim alérgica à cola do aglomerado de madeira do estrado do colchão.”

Depreende-se pela história que por vezes não é fácil determinar a causa das alergias e consequentemente determinar o seu tratamento.


Tratamento

Passa necessariamente e em primeira instância, pela adopção de medidas minimizadoras dos sintomas:

- Evitar áreas de elevada polinização.
- Reduzir ou evitar actividades em ambiente exterior (caminhar na floresta, cortar relva, etc.
- Manter janelas fechadas em dias de vento, muito quentes ou secos.
- Nos automóveis, viajar com as janelas fechadas e nos motociclos usar capacete integral.
- Usar óculos fora do ambiente doméstico.
- Evitar desportos (até de lazer) no exterior e em especial no período da manhã.

Quanto ao uso de medicamentos para controlo das “crises”, eles são vários e dependem, evidentemente dos sintomas apresentados.
Anti-inflamatórios, anti-histamínicos, bronco-dilatadores (existem em comprimidos, xaropes, inaladores, etc.) e vacinas apropriadas, são medicamentos que o seu médico de família não deixará de prescrever quando necessário.

Não se auto medique, antes pelo contrário, consulte o seu médico de família e siga, com rigor, a posologia (nº de tomas de medicamentos, horários dos mesmos e procedimentos nas crises) que ele lhe aconselhar.

Pode saber mais consultando o site:
http://www.spaic.pt/

Acne



Inês Rosendo, Médica Interna de Medicina Geral e Familiar do Centro de Saúde de Eiras



O acne é a doença de pele mais comum (afecta 8 em cada 10 adolescentes e jovens e pode afectar pessoas de todas as idades).

Como se forma:

O acne vulgar forma-se por causa da obstrução/entupimento de glândulas sebáceas – glândulas produtoras da gordura da pele ou sebo - que existem no corpo junto aos pêlos. Uma bactéria que vive normalmente na pele cresce no interior desta glândula obstruída e produz substâncias que levam à inflamação do local: dor, vermelhidão, calor e inchaço das borbulhas que inflamam.




Causas:

Não se sabe bem a causa exacta do acne mas pensa-se que será em parte genética.
A razão porque começa na pré-puberdade/adolescência é por ser nesta idade que começam a ser produzidas algumas hormonas que aumentam a produção do sebo/gordura. Estas hormonas também estão alteradas na gravidez.
Muitas das pessoas que têm acne mais tarde é por as suas glândulas sebáceas serem muito mais sensíveis a estas hormonas.

O que é?

O que caracteriza o acne é o aparecimento na cara, peito, ombros e costas (onde há mais glândulas sebáceas) de “pontos negros” (estes são pretos por alterações do sebo ao contactar com o ar e não devido a sujidade) e “pontos brancos”, borbulhas inflamatórias, nódulos e até quistos cheios de pus que podem levar a cicatrizes. Existem normalmente várias lesões diferentes ao mesmo tempo.
O que agrava

Há vários factores que estão provados piorar o acne em alguém que já o tem, como por exemplo, as hormonas das mulheres uns dias antes do período, a gordura nos produtos para a pele ou do ambiente de trabalho (como na cozinha), os capacetes ou mochilas ou colares ou roupas que sejam apertados, a poluição, a humidade, o stress e alguns medicamentos (como o lítio, alguns medicamentos para a epilepsia e alguns antibióticos e hormonas). Não está provado cientificamente que a comida (chocolates, gorduras) influencie o acne.

Como se trata?

Tem que se ter sempre em atenção que nenhum medicamento cura completamente o acne mas antes previne o aparecimento de novas borbulhas e melhora as que já estão presentes, evitando que se formem as cicatrizes. Estes tratamentos normalmente duram muito tempo.

Tenho acne, o que posso fazer para cuidar da minha pele?

É importante uma boa higiene da pele. Assim, deve-se lavar a cara toda todos os dias, duas vezes por dia e depois de se fazer exercício. É importante que esta lavagem seja suave e que não se esfregue agressivamente a pele da cara. Lavar o cabelo é também importante para a saúde da pele e para evitar o acne.
Não se devem espremer as borbulhas, evitando-se tocar nestas e nos pontos negros. Deve-se ter cuidado ao barbear e pode-se fazer uma limpeza de pele desde que esta seja suave.
Tente evitar os produtos para a pele e para o cabelo com gordura e evite os factores que agravam o acne como o stress, humidade, roupas apertadas e a poluição.
Se estiver a fazer tratamento para o acne é melhor evitar a exposição demasiada ao sol porque a maioria destes medicamentos levam a uma maior sensibilidade a queimaduras solares.

Importante:

Não pode esquecer que, apesar do acne ser muito comum, ele é uma doença que pode levar à formação de cicatrizes para toda a vida, que podem levar a uma baixa auto estima e até depressão. Quanto mais cedo for ao médico e quanto mais cedo começar o tratamento, menos cicatrizes terá.


Para saber mais

Consulte o seu médico de família ou dermatologista e/ou procure informação na internet nos seguintes sites:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Acne
http://www.manualmerck.net/
http://www.mni.pt/
http://www.arsc.online.pt/

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Partilhar, sim... micróbios, NÃO!


Andreia Rocha, Enfermeira Graduada do CS de Eiras



O povo português orgulha-se de ser um povo generoso, sempre pronto a abrir as portas de sua casa e a partilhar com outros o que tem de melhor... e não só!
Esta época do ano sugere-me falar um pouco sobre doenças respiratórias infecciosas, por ser rica nas chamadas infecções sazonais, isto é, que estão relacionadas com a estação do ano, nomeadamente a gripe, o resfriado comum, entre outras.
Contudo, não gostaria que o que vou transmitir caísse no esquecimento durante o resto do ano, já que outras doenças existem, também elas contagiosas, e que não dependem das estações, como é o caso da tuberculose pulmonar, por exemplo, que está a tornar-se mais frequente do que seria desejado.
Todas estas doenças têm um denominador comum, que é a forma de transmissão, ou seja, todas elas são transmitidas através de partículas de saliva de uma pessoa infectada, especialmente através de tosse e espirros, mas também por contacto directo, por exemplo através das mãos ou de objectos contaminados.
Dada a relativa facilidade com que se transmitem e também a gravidade de algumas delas, cada um de nós tem a responsabilidade de se proteger a si próprio, mas também de evitar contagiar os outros.
Para tal, a Direcção-Geral da Saúde recomenda uma série de medidas simples que podem contribuir para reduzir o risco de contrair e propagar estas infecções. São as seguintes:
- Em caso de doença, reduza os contactos com outras pessoas;
- Lave frequentemente as mãos com água e sabão e sempre depois de tossir, espirrar ou assoar-se;
- Se tossir ou espirrar, deve proteger a boca e o nariz com um lenço de papel ou com o antebraço (e não com a mão);
- Use lenços de papel de utilização única para se assoar;
- Evite frequentar ambientes saturados e mal arejados, com aglomerados de pessoas (ex.: transportes públicos, locais de diversão);
- Promova e incentive o arejamento dos locais atrás referidos;
- Ensine as crianças a adquirir estes hábitos desde pequeninos;

Quando se fala em evitar ambientes mal arejados e saturados, incluem-se as salas de espera dos hospitais e centros de saúde, com a agravante de o aglomerado de pessoas que se encontram nestes locais estarem provavelmente doentes. O que vai acontecer é o seguinte: você vai transmitir aos outros o seu micróbio, mas vai levar para casa, para si e para a sua família, os micróbios que lhe foram “oferecidos” pelas dezenas de pessoas que se encontravam na sala.
Como alternativa ao recurso imediato aos serviços de Saúde, a Direcção-Geral da Saúde oferece uma linha de aconselhamento, a Saúde 24 – 808242424, disponível 24 horas por dia, a que pode recorrer ao custo de uma chamada local e onde lhe farão o encaminhamento necessário, ou o ajudarão a resolver a situação por si próprio.
Colabore com os serviços de saúde no controle destas doenças. Vamos partilhar apenas as coisas boas, os micróbios, NÃO!

Fumar para quê?







João Araújo, Estudante de enfermagem do 4º da ESEnfC – Pólo A


O consumo de tabaco é a epidemia que mais mortes evitáveis causa no mundo, matando 4.9 milhões de pessoas anualmente em todo o Mundo e 8.500 em Portugal. (Nunes, 2003, e Martins, Mendonça e Pires, 2006)
Actualmente devido a uma grande quantidade de informação alusiva às consequências do consumo do tabaco, passivo ou activo, verifica-se já uma grande aceitação e reconhecimento dos seus malefícios, nomeadamente em relação a cancros e tumores malignos. No entanto apenas 18% da população fumadora reconhece a existência de uma relação entre o tabaco e as doenças cardiovasculares (Coelho, 2002, citado por Martins, Mendonça e Pires, 2006). Isto vem portanto confirmar o grande desconhecimento que envolve os hábitos tabágicos.
Um cigarro é composto por mais de 4000 substâncias sendo a nicotina o principal componente psicoactivo do tabaco (Schuckit (1998), citado por Martins, Mendonça e Pires, 2006). E de acordo com Lebargy (2003, p 91), citado pelos mesmos autores, esta é uma droga que “exerce um papel central na dependência tabágica”. E ainda que o grau de dependência pela nicotina varie de indivíduo para indivíduo esta irá sempre afectar todo o fumador a médio, longo prazo, devido às suas propriedades bioquímicas e respectivas respostas fisiológica do organismo.
Os sintomas mais comuns na privação tabágica são o aumento de desejo pelo tabaco, irritabilidade, ansiedade, dificuldade de concentração, inquietação, diminuição do padrão de vigília, tonturas, sentimentos de hostilidade e dores de cabeça. (Schuckit, 1998, citado por Martins, Mendonça e Pires, 2006).
Para além da dependência física e psicológica existem outras consequências negativas do consumo de tabaco, nomeadamente o aumento do risco de cancro (pulmão língua, boca, faringe, laringe, esófago, estômago, entre outros), da manifestação de doenças do aparelho circulatório (cardiopatias, hipertensão, entre outras) e do aparecimento de doenças respiratórias crónicas (bronquite crónica, enfisema pulmonar e asma) (Nunes, 2003). São ainda outros efeitos do tabaco o envelhecimento precoce da pele, a diminuição do olfacto e do paladar, o aumento da tosse, a deterioração dos dentes, o aumento da celulite e a não menos importante diminuição no orçamento pessoal e/ou familiar.
Na tentativa de reduzir o número de consumidores do tabaco e respectiva morbilidade tem-se investido bastante na prevenção primária, pois a complexidade do fenómeno assim o exige. Chegou-se à conclusão que o melhor método de prevenir problemas de saúde consequentes do consumo de tabaco passa pelo absentismo, ou seja nunca consumir tabaco. Caso consuma, e já não vá a tempo de adoptar esta medida, dirija-se ao seu centro de saúde pois aí saberão ajudá-lo.

sábado, 19 de julho de 2008

Varizes / Derrames

António Alegre, Médico do Centro Saúde de Eiras / Director

Com a evolução da espécie humana e antes de se atingir o “Homo Sapiens” (Homem Inteligente), passámos por várias etapas, entre elas a de “Homo Erectus” (Homem de pé), pois apesar de gostar de Adão e da Eva, não os encontro na minha árvore genealógica.
Desde que tal se verificou, é lícito pensar que a doença venosa se instalou, pois está intimamente relacionada com a nossa posição vertical.
A doença ou seja “a doença venosa crónica”, (falamos necessariamente dos membros inferiores), pois existem varizes em outros locais (ex: no esófago), inclui desde pequenos derrames (telangiectasias) que não têm significado patológico mas sim estético, até aos casos mais graves (varizes e até úlceras).
Existem vários factores de risco como sejam, genéticos, hormonais (a pílula), a obesidade, a gravidez, a idade, o sexo (mais nas mulheres), os hábitos e estilos de vida, a profissão e até a própria moda, pois é sabido que a roupa apertada realça as formas e diga-se em abono da verdade, é bonito de se ver, mas compromete algumas estruturas vasculares (veias essencialmente), favorecendo o aparecimento da doença venosa.
O local normal de aparecimento desta patologia remete-nos para as pernas, com o seu
cansaço, prurido (comichão) e cãibras, sendo que no final de cada dia aquela sintomatologia se acentua.

Se algum destes sintomas surgir, fale com a sua equipa de saúde, pois uma simples avaliação, uma história clínica bem elaborada e talvez uma ecografia especial (eco-doppler), facilitam o diagnóstico, o qual deverá ser tão precoce quanto possível, determinando ou não, a necessidade de uma atitude terapêutica.
As vulgares varizes deveriam ser tratadas numa fase precoce evitando assim males maiores, havendo já quem defenda que toda e qualquer mulher após uma gravidez deveria submeter-se a um estudo da sua situação venosa.
O tratamento ser-lhe-á proposto pelo seu médico de família, podendo passar pela cirurgia convencional ou até de técnicas com laser, à esclerose (secagem), sendo que a prevenção é e será sempre a melhor opção.
Nada melhor que os exercícios físicos favorecedores do retorno venoso (natação e hidroginástica), bem como o uso regular de “meias de descanso”, (fale com o seu médico quanto às características das mesmas, pois nem todas são iguais), descansar com as pernas mais elevadas (veja telenovelas com as pernas elevadas, ou seja com o tornozelo acima da raiz das coxas), massagens, enfim, há sempre algo que se pode fazer em prol de uma saúde cada vez melhor.
Tenha em atenção que esta doença atinge cerca de 80% de toda a população, não devendo nem podendo ser considerada tão banal quanto isso.
Tenha umas boas pernas e umas pernas boas!!!

Protecção do Cancro da Pele

Inês Rosendo, Médica Interna de Medicina Geral e Familiar do Centro de Saúde de Eiras

Os raios solares – ultravioletas A (UVA) e ultravioletas B (UVB) – fazem mal à sua pele.
Eles levam tanto ao aparecimento de rugas, como provocam cancro da pele mesmo sem apanhar “escaldões”. Os solários têm também estes efeitos, pois usam essas mesmas radiações. São os UVB os principais causadores dos efeitos nocivos, apesar de se saber que os UVA podem causar também lesões, mas mais lentamente.
Assim, o cancro da pele tem mais tendência a aparecer em locais da pele mais expostos como a cara, pescoço, orelhas, mãos, o peito dos homens e a parte de trás das pernas das mulheres.
As pessoas que têm cabelo louro ou ruivo e têm olhos claros, que têm sardas ou muitos sinais, que se queimam facilmente pelo sol, trabalham no exterior, tiveram uma queimadura solar grave, têm pessoas na família com cancro da pele ou usam regularmente solários, têm mais risco de ter cancro da pele.
Para prevenir o cancro da pele, devemos evitar o sol (especialmente entre as 10h e as 16h, sendo que entre as 11h e as 13h são as horas mais críticas), usando roupa de tecido não muito fino e um chapéu de abas largas para proteger a cara, o nariz, os lábios, pescoço e ficando na sombra a maioria do tempo que estiver na praia. Lembre-se que as nuvens e a água não o protegem dos raios solares, podendo até tornarem-se mais prejudiciais por não se sentir tanto o calor. Deve, no início das suas férias, começar por se expor pouco tempo ao sol e ir aumentando de dia para dia esse mesmo tempo. Sempre que estiver mais exposto ao sol, deve usar protector solar com factor 15 ou mais elevado, em todos os locais da pele onde o raios solares podem chegar, incluindo as orelhas, parte posterior do pescoço e zonas de calvice.
Os bronzeadores não o protegem permanentemente da radiação.
Devemos voltar a colocar protector solar cada 2 a 3 horas, depois de transpirar ou de ter estado na água. Devemos preferir mais estar em movimento do que estar parado ao sol, afim de evitar expor as mesmas áreas a uma grande quantidade de raios solares.
Muito importante é verificar regularmente (1 vez por mês) se tem lesões suspeitas na pele e, se sim, contactar o seu médico de família, pois quanto mais cedo for detectado o cancro da pele, mais hipóteses tem de ser curado. A melhor maneira de o verificar é usando um espelho, não esquecendo a planta dos pés nem a cabeça (pode pedir ajuda a alguém).
Deve pesquisar “sinais” de aparecimento recente (depois dos 30 anos), que apresentem algum sinal de gravidade e que são apelidados de ABCDE: Assimetria (não ser igual dos dois lados), Bordo irregular (bordos difíceis de distinguir ou onduladas), Cor escura (especialmente se mudança de cor recente e se tem várias tonalidades ou cores), Diâmetro grande (se tem mais de 2cm ou cresceu rapidamente), Elevação (ter uma superfície rugosa e saliente). Outros sinais também importantes, são o facto de sangrar, ter uma ferida que não cicatriza ou que provoca dor.

Para saber mais:

http://www.dermo.pt
http://www.manualmerck.net/
http://www.arsc.pt/

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC)

Tiago Santos, interno do 1º ano de Medicina Geral e Familiar do Centro de Saúde de Eiras
Introdução
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) é o nome de um grupo de distúrbios respiratórios crónicos e progressivos, caracterizados por fenómenos obstrutivos. Os dois principais processos de obstrução são o Enfisema, uma dilatação dos alvéolos (os pequenos sacos de ar dos pulmões), e a Bronquite Crónica, uma inflamação das vias aéreas com secreções excessivas de muco, que resulta em tosse crónica persistente com expectoração.

Epidemiologia
A DPOC é a quarta causa mais frequente de morte. O tabagismo é o principal factor de risco: a DPOC desenvolve-se em aproximadamente 10 a 15 % dos fumadores, e o risco de morte pela doença é maior neste grupo da população.

Mecanismos de doença
Substâncias tóxicas ou irritantes provocam reacções inflamatórias dos alvéolos, que caso sejam prolongadas podem evoluir para lesões permanentes. Fumar é nocivo para as defesas do pulmão, porque prejudica os mecanismos de eliminação das substâncias tóxicas. Estas lesões acabam por causar retenção de ar nos pulmões, diminuindo as trocas de oxigénio por dióxido de carbono entre os alvéolos e o sangue.

Sintomas
A primeira manifestação da DPOC é a tosse com expectoração, e geralmente aparece ao fim de 5 a 10 anos de tabagismo. Pode haver também tendência para “resfriados”, com respiração ruidosa (frequentemente descrita como “apitos”). Mais tarde pode surgir falta de ar, agravada por infecções respiratórias frequentes.

Diagnóstico
As alterações à auscultação são geralmente inespecíficas, assim como as verificadas numa radiografia do tórax, pelo que o melhor método para diagnosticar a DPOC é através da Espirometria, a medição da função respiratória: um padrão obstrutivo sugestivo de DPOC estabelece o diagnóstico.

Tratamento
Se o doente é fumador, o melhor tratamento para a DPOC é deixar de fumar! Adicionalmente existem vários medicamentos disponíveis, tais como os broncodilatadores e corticosteróides. A administração de oxigénio pode ser necessária em fases mais avançadas. As crises agudas devem-se frequentemente a infecções, casos em que o tratamento com antibiótico é benéfico. A vacinação contra a Gripe é recomendada em todos os doentes com DPOC.

Prognóstico
Pode variar desde favorável nos casos de obstrução ligeira, até francamente desfavorável em casos de obstrução grave, daí a importância do diagnóstico e tratamento precoces a fim de procurar controlar a evolução da doença, com a melhoria consequente na qualidade e quantidade de vida do doente.

Febre na Criança

Anabela Baptista, Enfermeira Especialista S. Infantil do C.S. de Eiras


Uma criança com febre é sempre motivo de preocupação para os pais. Mas nem sempre essa preocupação deve ser entendida da mesma forma. A febre é antes de mais um sintoma de que algo no organismo da criança merece especial atenção. Acontece por vários motivos e o que pretende é sinalizar que algo não se encontra a correr como habitualmente e assim, em situações diversas como vacinas, inflamações ou infecções, o centro de regulação interna (termóstato) do organismo da criança altera, fazendo com que a febre surja.
Para saber se a criança tem febre não basta, contudo, palpar a testa ou outra parte do corpo e assegurar que está quente. Assim a temperatura deve ser medida através de um termómetro: tradicional, digital, infravermelhos ou descartáveis. A medição também poderá ser obtida em diferentes locais: rectal, oral, axilar, auricular ou na região frontal (testa).
Normalmente, é considerado que uma criança tem febre se a sua temperatura se situa acima dos 37,5º (oral ou axilar) e 38º nos restantes locais.
Se a criança tem febre mas o seu comportamento e nível de actividade não se alteraram, ou seja, se a criança continua activa, a brincar e a comportar-se como habitualmente deve ser vigiada a temperatura em intervalos de 6 ou 8 horas. É evidente que o apetite poderá diminuir e a criança pode referir mais sede que o habitual.
Assim, devem ir sendo administrados, à criança, líquidos, deve ser desagasalhada mas de maneira a ficar confortável, administrar-se um antipirético se se encontrar queixosa, e, quando a criança começa a ficar transpirada deve ser feito um banho à temperatura do corpo (37º).
Deve ser levada a uma Unidade de Saúde sempre que:
- A temperatura acima dos 38,5ºC não baixe com o antipirético administrado,
- Seja um bebé com menos de 3 meses,
- A febre não desapareça ao fim de três dias,
- Apareça em conjunto com a febre, náuseas, vómitos, diarreia, dor de ouvidos, rigidez do pescoço, dificuldade em respirar ou engolir, manchas, borbulhas, sonolência ou irritabilidade,
- Surjam convulsões
.
Até à idade de cinco anos, uma subida muito rápida da temperatura pode dar origem a Convulsões, em que todo o corpo da criança treme sem que ela consiga controlar os seus movimentos. Nesta situação, tem de se evitar que a criança se magoe e para isso ela deve ser afastada de tudo o que a possa magoar. Nunca deve colocar-lhe algo na boca ou dar-lhe comida ou bebida pois a criança pode sufocar. Após a crise é essencial que a criança acorde num ambiente calmo e deve ser observada por uma equipa de saúde, se for a primeira vez, que acontece.

Não esqueça, que para além do Centro de Saúde, possui à disposição a linha telefónica de atendimento pediátrico (24h/dia) - Dói, Dói…Trim,Trim…808242400

Uma nova Epidemia: Obesidade Infantil

Andreia Rocha, Enfermeira Graduada do C.S. de Eiras

Segundo a Organização Mundial de Saúde, a obesidade na Europa tem vindo a atingir proporções epidémicas, triplicando a sua prevalência nas últimas duas décadas.
Este aumento também se verifica entre as crianças e adolescentes, com grande impacto negativo para a sua saúde.
Em Portugal 30% das crianças entre os 7 e os 11 anos têm excesso de peso, aumentando o risco de desenvolver doenças como diabetes tipo 2, hipertensão arterial e problemas de sono, já para não falar de problemas psicossociais decorrentes do estigma de “ser gordo”. Têm ainda grande probabilidade de permanecer obesos na idade adulta e desenvolver doenças mais graves, reduzindo a qualidade e a esperança de vida.
Na base deste problema estão duas causas principais: a alimentação e o sedentarismo.

Alimentação
Hoje assiste-se a um abandono da dieta tradicional portuguesa, substituindo-a por hábitos alimentares muito menos saudáveis, importados de outros países.
A utilização do pão, do azeite, do peixe, da fruta e dos legumes está a ser substituída por alimentos como as pizzas, os hambúrgueres, a comida previamente confeccionada que se coloca no microondas e os refrigerantes com gás.
Por outro lado, a publicidade dirigida às crianças está recheada de chocolates, cereais com açúcar, bolos e fast-food, incentivando ao consumo através da oferta de brindes, da utilização de desenhos animados e de mensagens de felicidade.

Sedentarismo
As crianças, sobretudo as que vivem nas cidades, passam o tempo em frente da televisão, do computador e de jogos electrónicos. Deixaram de realizar actividades ao ar livre, como correr, jogar à bola, andar de bicicleta. Isto prende-se muito com a falta de espaços e de segurança para o fazer, mas também com a falta de motivação das crianças e de incentivo dos pais, que se reflecte na pouca importância atribuída à disciplinar escolar Educação Física.

A resolução deste problema é complexa, envolvendo famílias, escolas, comunidades, autarquias e governo central e deve incidir na promoção da alimentação saudável e da prática de exercício físico regular, bem como no controle da publicidade dirigida às crianças, como já é feito em alguns países.

No entanto, todos nós, pais, podemos dar o nosso contributo através do exemplo que damos em casa aos nossos filhos. Deixo aqui algumas sugestões:
- Criar hábitos alimentares saudáveis em casa;
- Não premiar as crianças com doces ou outros alimentos prejudiciais;
- Acompanhá-las na prática de actividades físicas ao ar livre;
- Limitar horário da televisão e do computador;
- Proporcionar brinquedos e brincadeiras activas, mesmo em casa (Ex.: bolas saltitonas, balões, lutas de almofadas);

Ao fazermos isto estaremos a cuidar para que as nossas crianças se transformem em adultos saudáveis.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

O medicamento: porquê, para quê e como?!

Luiz Miguel Santiago, MD - Chefe de Serviço no Centro de Saúde de Eiras

Quem de nós não tem hoje em casa quase uma “farmácia”?

Quem de nós não tem familiares, ou só conhecidos, ou nós mesmos, que precisam de tomar medicamentos para curar uma doença aguda, como uma amigdalite, ou para controlar outra, crónica, como a tensão arterial alta, um mal estar psíquico, ou dores graves contínuas nas articulações, ou uma asma ou uma bronquite, ou mesmo a diabetes ou o excesso de colesterol!

Pois é, o medicamento está hoje muito presente nas nossas vidas e no nosso dia a dia.

Tomamo-lo por vezes porque a dor de cabeça é insuportável e noutras até nem o tomamos porque é uma maçada ter de todos os dias engolir uma cápsula ou um comprimido por causa de uns valores que estavam alterados nas análises de rotina! E noutros casos até nem os tomamos porque, apesar de receitado, este mês houve outras despesas e já não há orçamento para tudo!!!!

E nem pensamos no que está em causa na relação “doença/medicamento”!

Se no caso da dor de cabeça (aqui apenas como um exemplo) com um “medicamento” para as dores ficamos melhor e sabemos, quer por experiência própria quer porque no-lo disseram, que não há risco de o tomar por períodos curtos e porque a doença é benigna e transitória, noutros casos e noutras doenças já o mesmo não sucede.

As doenças diagnosticam-se pela apresentação de queixas e verificação por sinais, depois confirmados por exames analíticos ou outros.

E as doenças, muitas vezes, necessitam de “tratamento” por medicamentos.

Os medicamentos podem ajudar a controlar a doença. Há indicações exactas para a utilização de cada medicamento, que os médicos conhecem, não sendo indiferente o tipo de medicamento a usar para uma doença num indivíduo em particular e com uma história própria.
Mas se uma doença pode apenas ter controle e não cura, é de toda a importância que quem está doente e vai ter de tomar medicamentos, seja informado e perceba essa informação do porquê de os tomar, das consequências de os tomar e do que esperar por os tomar e… aceite conscientemente a necessidade de os tomar.

O medicamento, sabe-se por estudos realizados, pode permitir obter um determinado resultado se tomado em certa dose, em determinado horário, por um certo período de tempo e se for ajudado por medidas, não forçosamente medicamentosas, que o doente deve aceitar realizar.

E o medicamento tem um preço a pagar na farmácia quando é comprado, que pode até ser bastante elevado, pelo que investir dinheiro no próprio corpo e utilizá-lo mal, até pode parecer um contra-senso!

Se utiliza um produto para “curar” uma doença e este faz efeito, o resultado pode desaparecer assim que o deixe de tomar, pelo que é bom que perceba porque o deve tomar e queira ter informação sobre os seus medicamentos.

Ou seja:
Há indicação para receitar medicamentos;
Há alguém, o doente, que os vai ter de tomar .
Esse alguém, deve ter informação sobre a razão de tomar medicamentos para conscientemente aceitar o tratamento e,
Esse alguém, passa a ser o responsável pela toma da sua medicação.

Acidente Vascular Cerebral - AVC

Conceição Castro, Enfermeira Especialista em Saúde Pública

DEFINIÇÃO
Os Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC) ocorrem quando há uma interrupção do aporte de sangue a uma área do cérebro. Pode surgir devido à obstrução de uma das artérias que irrigam o cérebro, denominando-se acidente vascular cerebral Isquémico ou pode ser provocado pela ruptura de uma artéria do cérebro e subsequente perda de sangue para os tecidos circundantes, designando-se acidente vascular cerebral Hemorrágico.
Privadas de sangue ou encharcadas em sangue as células nervosas morrem e libertam substâncias químicas que vão destruindo as células vizinhas provocando lesões cerebrais de graus variáveis.
As consequências do AVC variam, mas são frequentemente dramáticas para os doentes e suas famílias, pois originam deficits a vários níveis tais como na motricidade, na linguagem, nas emoções ou na memória, alterando o seu quotidiano. As alterações motoras caracterizam-se por paralisias completas ou parciais no hemicorpo oposto ao local da lesão que ocorreu no cérebro. O prognóstico depende do tipo de AVC, da área cerebral afectada, e da extensão das lesões.

INCIDENCIA
Embora se tenha verificado em Portugal um decréscimo de mortes por AVC, nos últimos anos, as taxas verificadas por doenças cérebro vasculares continuam a ser das mais elevadas na união europeia. Segundo o Plano Nacional de Saúde (2004-2010), as doenças Cérebro vasculares encontram-se entre as principais causas de morbilidade, invalidez e mortalidade em Portugal, sendo responsável por grande impacto a nível individual, social e económico.

FACTORES DE RISCO
Os factores de risco aumentam a probabilidade de AVC, mas, podem atenuar-se com tratamento médico ou mudanças nos estilos de vida. Quanto maior for o número de factores de riscos identificados, maior será a probabilidade de ocorrência de AVC.
Os principais factores de risco de AVC são: hipertensão arterial, aterosclerose (endurecimento das artérias por depósito de gordura nas suas paredes), diabetes Mellitus, colesterol elevado [níveis elevados de LDL (mau colesterol) e redução de HDL (bom colesterol) precipitam a formação de placas de aterosclerose], doenças cardíacas (arritmias, enfarte do miocárdio, e problemas nas válvulas cardíacas), o uso de contraceptivos hormonais, obesidade, tabagismo, alcoolismo, sedentarismo, e a idade (a probabilidade de ocorrência de AVC aumenta com a idade).

PREVENÇÃO

A prevenção é o principal factor de combate ao aparecimento do AVC, esta é baseada no ataque aos factores de risco.
A adopção de uma vida saudável em que sejam banidos o tabaco, o excesso de álcool, as gorduras e açucares, e em que se faça exercício de forma regular, são determinantes nesta prevenção. Quando alguns factores já estão instalados, tais como, hipertensão arterial, diabetes ou colesterol, é fundamental a sua vigilância e controle.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Diabetes

Paula Lopes, Enfermeira Graduada do C.S. Eiras - Extensão de S. Paulo de Frades

A diabetes é uma doença crónica muito comum. Segundo o Inquérito Nacional de Saúde afecta 6,5% da população Portuguesa.
Prevê-se que haja cerca de 200 a 300 mil pessoas com diabetes não diagnosticadas. Há um aumento de cerca de 40% desta doença nos últimos 20 anos. São dados que a todos nos devem preocupar.
A diabetes deve-se à falta de secreção de insulina por parte do pâncreas e/ou à diminuição do seu efeito. É esta hormona que permite a utilização como energia dos hidratos de carbono dos alimentos, originando assim a sua falta um aumento do açúcar no sangue.
Existem 2 tipos de diabetes:



  • Diabetes Tipo 1 – tem início na infância e/ou adolescência, podendo também aparecer noutras idades. Deve-se à destruição das células produtoras de insulina no pâncreas, o que leva a uma deficit absoluto da mesma, pelo que é obrigatório a administração de insulina.

  • Diabetes Tipo 2 – surge normalmente em idades mais avançadas e é dez vezes mais frequente do que a Diabetes Tipo 1. É caracterizada pela associação de falta parcial da produção de insulina com um aproveitamento inadequado da mesma. É primordial a realização de uma alimentação equilibrada e exercício físico. No entanto, pode ter de se recorrer a anti - diabéticos orais (comprimidos), insulina ou ambos.
    Este tipo de diabetes pode passar despercebida durante muito tempo. É frequente que existam pessoas na família com diabetes.

Para o diagnóstico da diabetes é geralmente realizada uma análise ao sangue em jejum no laboratório. A diabetes confirma-se quando o valor é igual ou superior a 126mg/dl em duas ocasiões. Quando o valor se encontra entre 110-125 mg/dl considera-se que existe uma glucose anormal em jejum. Abaixo de 109mg/dl considera-se normal.
Não podemos esquecer que a obesidade aumenta 2 a 3 vezes o risco de desenvolver doenças cardiovasculares, a hipertensão arterial aumenta 5 a 6 vezes o risco de doença coronária e enfarte do miocárdio, o colesterol alto associa-se ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares, o tabaco também aumenta o risco de morte por doença cardiovascular.
Uma diabetes descompensada leva a complicações graves ao nível:

- dos olhos em que as mais frequentes são: cataratas; glaucoma e retinopatia que é a mais grave das complicações oculares e que podem mesmo levar à cegueira.

-dos rins (nefropatia) – as lesões dos rins podem-se prevenir através da normalização das glicemias e da tensão arterial.

- dos pés – o mau controlo da diabetes a longo prazo pode ser responsável por 2 tipos de problemas:



  • uma diminuição da sensibilidade á dor (neuropatia sensorial)

  • uma diminuição da capacidade em receber mais sangue quando é necessário (arteriosclerose)
    Para prevenir problemas graves nos pés deve-se realizar um bom controlo da diabetes, boa higiene dos pés, examinar os pés diariamente (se for difícil para o utente, use um espelho ou, peça ajuda a outra pessoa), deve manter os pés secos e limpos, não usar meias nem sapatos apertados, limar as unhas em vez de as cortar. Em caso de aparecimento de alguma ferida deve contactar a sua equipa de saúde.
    - dos acidentes cardiovasculares – a arteriosclerose pode provocar Acidentes Vasculares Cerebrais ou enfartes. Pode ser prevenido através do controlo da diabetes, da hipertensão arterial, da obesidade e níveis elevados de colesterol, diminuição do uso do tabaco e de hábitos sedentários.

Esta é uma doença crónica que como o nome indica não tem cura, mas que estando controlada permite ao utente ter uma boa qualidade de vida.
É importante que os profissionais de saúde e os utentes parem para pensar nestes números preocupantes, que os pais e encarregados de educação parem para pensar na alimentação que estão a dar aos seus filhos, porque a prevenção tem de começar na infância. Deste modo se poderá evitar situações de obesidade infantil que poderão predispor o indivíduo para esta doença quando atingir o estado adulto.

Alimentação Saudável: Motivação Precisa-se

Margarida Rodrigues, Enfermeira Graduada do Centro de Saúde de Eiras


Sobre alimentação saudável muito se tem falado e continua a falar-se. A informação chega às nossas casas através da televisão, jornais, panfletos distribuídos nos Centros de Saúde, nas Revistas da Farmácia, etc.
Se em outros tempos era a falta de conhecimento que prevalecia, hoje em dia esse problema não se coloca. Mas então qual a razão para o contínuo aumento de doenças como a diabetes, a obesidade, etc? Questionamo-nos: onde é que reside o problema?
Na motivação para alterar hábitos de anos! Na vontade de fazer uma alimentação equilibrada! No tempo para a preparar! No dinheiro! Ou será que estas são só desculpas para uma sociedade que está pouco motivada?
Primeiro, vamos motivar-nos, vamos tomar consciência da importância de uma alimentação saudável e em seguida, vamos agarrar no conhecimento e colocá-lo em prática.
É fundamental ter uma alimentação variada, optando por alimentos mais saudáveis sem, contudo, ter que abdicar por completo, daqueles alimentos menos saudáveis de que tanto gostamos. O segredo está na frequência do seu consumo, ou seja, alimentos saudáveis devem ser consumidos diariamente e várias vezes ao dia, e os menos saudáveis uma a duas vezes por semana.
Por outro lado, é premente procurar estabelecer um equilíbrio entre a energia que se consome e a energia que se gasta, ou seja, não se deve consumir mais energia do que aquela que se consegue gastar. É também essencial fazer 5 a 6 refeições por dia, ou seja, distribuir os alimentos ao longo do dia, e não estar mais de 3 – 4h sem comer. O objectivo é “comer pouco e bastas vezes”, educando o organismo a eliminar a energia conforme é consumida. Caso contrário, se ficarmos muitas horas sem comer, o organismo vai ter necessidade de reter energia, provocando uma acumulação de gordura e o consequente aumento de peso.
Os valores de energia médios recomendados pela Direcção-Geral da Saúde para adultos saudáveis variam usualmente entre as 1800 e as 2500 calorias (1500 a 1800 calorias para as mulheres e 2000 – 2500 calorias para o homem), tendo sempre em atenção o estilo de vida da pessoa, nomeadamente o gasto ou não com actividade física.
Exemplo de um esquema alimentar:
Pequeno-almoço:
- 1 Copo de leite meio-gordo
- Cereais não refinados
- Uma peça de fruta


Meio da manhã:
- 1 Iogurte
- 3 Bolachas simples


Almoço:
- Sopa de legumes (2 conchas)
- Peixe ou carne
- Massa ou batata ou arroz
- Hortícolas (salada, nabos, couves)
- 1 Peça de fruta


Meio da tarde:
- Peça de fruta
- 1 Pão escuro ou mistura


Jantar:
- Refeição semelhante à do almoço, de preferência em menor quantidade, procurando alternar sempre o peixe e a carne e variar na fruta consumida à sobremesa.


Antes de ir para a cama, se tem por hábito deitar-se mais tarde, deve neste caso comer / beber:
- Uma infusão quente de cidreira ou camomila
- 2 Bolachas simples


Faça da água a sua bebida de eleição, bebendo no mínimo 1,5 l de água por dia.


EXPIRIMENTE E SINTA A DIFERENÇA!

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Enurese Nocturna (chi-chi na cama)

António Alegre, Médico do Centro Saúde de Eiras / Director

A enurese nocturna (EN) é um dos problemas urológicos pediátricos mais comum nos Cuidados de Saúde Primários (CSP).
Todo e qualquer médico de família deve estar sensibilizado e preparado para facultar, essencialmente aos pais, uma orientação e ou atitude terapêutica, pois este “desagradável” problema afecta psicológica e funcionalmente a criança e seus familiares.
É comummente aceite que a prevalência (nº de crianças) com EN aos sete anos é de 6% a 10% o que, convenhamos que se diga, apesar de não parecer muito elevado, não é de todo normal, e o médico nunca deve menosprezar aquela patologia.
É um facto que aos 15 anos a prevalência de EN é de cerca de 1% a 2% e, que se saiba, esta patologia tende para os 0% à medida que a idade avança, não tendo conhecimento de qualquer caso em plena “noite de núpcias”.
A EN é mais prevalente no sexo masculino que no feminino (relação de 3 rapazes para 2 raparigas).
É de extrema importância e isto já em atitude “terapêutica”, o médico de família perceber se a EN esteve sempre presente, ou se a mesma apareceu após um período de continência (ausência de EN), pois daí deriva, necessariamente, a orientação junto da criança e ou familiares.
Os pais e o médico de família, devem indagar se a criança tem perturbações do sono (recentes ou crónicas), se ressona com apneia (suspensão momentânea da respiração, comum nas crianças saudáveis e inofensivo), o tipo e quantidade de líquidos ingeridos à noite, os medicamentos que está a tomar, a postura da família perante o problema, o nascimento recente de um irmão(ã), enfim, um sem número de situações que podem desencadear a EN.
Na tentativa de ajudar a resolver esta patologia, o tratamento deve ser facultado quando a situação constituir um problema para as crianças.

Adaptar o tratamento à verdadeira causa é o objectivo primeiro da intervenção médica, sendo que alterações comportamentais com envolvimento dos pais é simples e seguro, mas exige alguns “sacrifícios”. O seu benefício principal centra-se no reforço positivo face às “noites secas” e nunca no negativismo da vergonha ou do castigo, perante “noites molhadas”.
Além das alterações comportamentais, sempre imprescindíveis, temos também o recurso à terapêutica. Com a “desmopressina” (entre outros), obtêm-se resultados visíveis muito rapidamente.
Mas... o seu Médico de Família, saberá qual a melhor solução para o problema e estará obviamente disponível para ajudar a criança e a família.
Não critique, apoie antes o seu filho.
Somos médicos dos Cuidados de Saúde Primários, não pela insignificância dos actos, mas pela dignidade de sermos os primeiros.

Asma

Inês Rosendo, Médica Interna de Medicina Geral e Familiar do Centro de Saúde de Eiras

A asma é uma doença dos pulmões.
As vias aéreas (que conduzem o ar desde o exterior até ao final dos pulmões e vice-versa) das pessoas com asma, são muito sensíveis a algumas coisas, ou porque são alérgicos a elas (alergenos) ou porque causam uma irritação (irritantes). Assim, quando entram em contacto com estes alergenos ou irritantes, as vias aéreas ficam inflamadas, incham e ficam com menos espaço para o ar passar. Ainda estreitam mais por causa dos músculos que se encontram à sua volta e porque é produzido um muco no seu interior. Dá-se, então, a chamada “crise de asma”. Os sintomas nesta situação são a falta de ar, a pieira (como um miado de gatos) e a tosse.
Para evitar ter estas crises, devemos tentar evitar os alergenos ou irritantes (pó, pólen, fumo de tabaco, pêlo de animais, exercício físico, mudanças te temperaturas, algumas comidas, perfumes, aspirina, emoções, infecções por virus etc.) quando os conhecemos e sabemos que as desencadeiam.
Para tratar estas crises há que tomar medicamentos, normalmente inalados (directamente para as vias aéreas). Os asmáticos com crises repetidas, devem tê-los sempre com eles e, por vezes até administra-los de uma forma prévia. Alguns asmáticos com crises muito frequentes, podem ter necessidade de tomar outros medicamentos diariamente para evitar tais situações, devendo ser seguidos por um médico regularmente.
Os asmáticos podem ter uma vida como todos os outros, necessitando para o efeito de algumas precauções para evitar os tais alergenos ou irritantes e devem saber controlar os seus sintomas.
A maioria das asmas iniciam-se em criança e a maioria destas não continuam para a vida adulta. Podem estar associadas a rinite alérgica e a eczema atópico, havendo normalmente um padrão hereditário considerável.
A rinite alérgica manifesta-se por uma grande sensibilidade a certos alergenos o que leva a uma resposta, desta vez na mucosa do nariz, provocando espirros seguidos, o nariz a pingar uma aguadilha incolor e sensação de nariz tapado. Esta pode ser sazonal (se só aparecer em algumas épocas do ano), perene (durante todo o ano), ou mista (se os sintomas se agravam em algumas épocas do ano mas persistem todo o ano). Pode associar-se a olhos congestionados (conjuntivite alérgica).
Se suspeitar de rinite alérgica, deve recorrer ao seu médico de família afim de eventual diagnóstico e terapêutica pois existem outros tipos de rinites que não são alérgicas...
É essencial prevenir a rinite alérgica afastando aquilo que a causa (evitar passear no campo nos meses de agravamento, ter a casa e o quarto bem limpos e sem pó, evitar os animais que causam sintomas etc.) Existem alguns medicamentos que podem ajudar a controlar as crises.
Consulte a equipa de saúde do seu Centro de Saúde.

Para saber mais:
http://www.spaic.pt/textos/?imr=9
http://www.arsc.pt/
http://www.manualmerck.net/

sexta-feira, 27 de junho de 2008

“Mais importante do que dar anos à vida é dar vida aos anos”

Elsa Vilão, Técnica Superior de Serviço Social, Centro de Saúde de Eiras

Quem já não vivenciou, partilhou ou teve conhecimento das dificuldades de ter de cuidar de “alguém” que, independentemente da idade, está privado da sua autonomia!

Quem já não assistiu ao drama do “sentimos que não somos capazes de fazer tudo”, “estamos exaustos, já não gerimos a vida familiar, profissional e social sem conflitos, sem angústia”, “sinto-me sozinha e impotente”, “o apoio domiciliário prestado não é o suficiente” “o lar está posto de parte pela incompatibilidade económica e pela nossa própria vontade”, “não podemos deixar de trabalhar para cuidar dele”

Sabemos que o envelhecimento demográfico, o desenvolvimento da medicina, bem como o desenvolvimento da indústria farmacêutica, determinam novas necessidades em saúde e conduzem ao aparecimento de um grupo significativo de doentes, para os quais, independentemente da idade e dos problemas decorrentes da sua perda de autonomia, urge organizar respostas adequadas à crescente necessidade de cuidados continuados, de forma personalizada, de qualidade e em proximidade, muito diferente do modelo de intervenção na doença aguda.

As próprias transformações sociais e políticas ocorridas nas últimas décadas, devido à evolução que a sociedade tem sofrido, introduziram mudanças significativas na vida e na dinâmica das populações. Surgiram novos domínios, novas formas de organização, novos estilos de vida, novos comportamentos sociais e familiares.

Contudo, continuam a ser as redes de suporte familiar, e vizinhança, que asseguram a continuidade de cuidados quando é necessário.

É óbvio, que o envolvimento da família na prestação dos cuidados ao doente, constitui uma ferramenta imprescindível para optimizar a capacidade de cuidar e simultaneamente, preservar o prolongamento da vida com qualidade, conforto, paz, confiança e amor.

Mas ao ser a mais directa e imediata fonte de apoio social, papel do qual jamais poderá ser desresponsabilizada, pode ao ser confrontada com as novas exigências do cuidar para as quais não está preparada, inevitavelmente ser conduzida para a revolta, desespero, insegurança, abandono, medo, vindo a tornar-se totalmente incapaz de prestar todo e qualquer apoio.
É premente reequacionar as redes de apoio e reajustá-las às novas necessidades.
O serviço de apoio domiciliário convencional já não satisfaz. É necessário envolver a comunidade, fazendo emergir o voluntariado, redireccionar esforços trabalhando em rede e parceria, criando novas formas de apoio (apoio domiciliário 24 horas, teleassistência, simples acompanhantes, centros de noite, prestadoras de cuidados, equipas multidisciplinares).
As famílias ao sentirem que não estão sozinhas, cada vez mais vão ter e querer os seus doentes consigo e perto de si.

FIBROMIALGIA:- ...Quando a dor não tem explicação…

Gonçalo Pimenta, interno do 2º ano de Medicina Geral e Familiar

A fibromialgia não é considerada uma doença típica, mas sim uma síndrome de dor músculo-esquelética difusa, não inflamatória, não articular, com pontos dolorosos à palpação muscular em locais definidos.
Com uma prevalência de 2% a 5% na população adulta, inicia-se entre os 20 e os 50 anos, sendo a mulher 5 a 9 vezes mais afectada que o homem.
É uma doença de natureza funcional, de causa e mecanismos desconhecidos, que se caracteriza por dores crónicas e espalhadas por todo o corpo (que não limitam a mobilidade), palpação das massas musculares difusamente dolorosa, sono superficial e não reparador, rigidez (de predomínio matinal), fadiga e debilidade muscular.
Acompanha-se, frequentemente, de depressão psíquica, ansiedade, irritabilidade, dores de cabeça, dormência de pés e mãos ou perturbações gastrointestinais ou cognitivas. As queixas são muitas vezes agravadas pelo stress emocional, frio, humidade, ruído, mudanças climatéricas ou excesso de esforço e tendem a melhorar com o calor ou as férias.
Não há qualquer sinal bioquímico ou imagiológico que justifique a dor, o que dificulta o diagnóstico. Este é feito apenas com base nas queixas subjectivas do doente, servindo os exames complementares apenas para excluir outras patologias com sintomas semelhantes ou detectar doenças associadas.
Alguns médicos ainda questionam a existência da fibromialgia como entidade clínica, sendo os doentes fibromiálgicos, muitas vezes, incompreendidos e até estigmatizados.
Além de ser difícil o diagnóstico desta síndrome, o seu tratamento é também complicado, já que a diversidade de sintomas pode exigir um vasto leque de soluções terapêuticas.
Desde logo, são importantes a correcta informação e tranquilização do doente, bem como compreensão e apoio psicológico. Estes doentes “precisam” de saber que existe um nome para os sintomas “misteriosos” que eles sentem. O doente deve apostar no exercício físico para manter os músculos activos, mas o seu plano de treinos deve ser elaborado em conjunto com o seu médico, de acordo com as suas capacidades e tendo em vista a saúde, a boa forma e a auto-estima.
Ginástica aeróbica, caminhadas, hidroginástica ou massagem, são algumas das opções a considerar.
O tratamento farmacológico é feito com recurso a antidepressivos, ansiolíticos, hipnóticos, analgésicos, anti-inflamatórios, relaxantes musculares ou anticonvulsivantes, devendo ser prescritos de acordo com os sintomas individuais de cada doente.
A acupunctura também pode ter um papel benéfico em alguns casos.
Não há ainda cura para a fibromialgia, mas a qualidade de vida do doente pode melhorar bastante se houver uma terapêutica continuada e ajustada aos novos sintomas que surjam.

domingo, 22 de junho de 2008

Vacinação…” Momento de dor ou Acto de Amor! ”

Conceição Castro, Enfermeira Especialista de Saúde Pública

A vacinação tem sido e continuará a ser um momento de angústia e dor para pais e filhos.
Os primeiros sentem que as vacinas conferem protecção contra algumas doenças infecciosas, que podem matar ou deixar sequelas muito graves, mas, o choro do seu filho “destroça – lhes o coração”.
Os segundos não percebem porque os seus pais os levam a um local onde “ pessoas de bata branca “ os magoam com “picas” nas pernas ou braços. Mas será que a vacinação tem que ser vista desta forma?. Não será um acto de amor que os pais estão a dar aos seus filhos?. Logo, quanto mais cedo as crianças perceberem o amor presente neste acto, mais facilmente aceitam a dor da vacinação.
Fazendo uma retrospectiva histórica, verificamos que até ao início do século XX, milhares de crianças morriam com doenças típicas da infância tais como; difteria, tétano, tosse convulsa, sarampo, poliomielite etc.. Progressivamente com a descoberta e produção de vacinas, esse cenário foi-se alterando significativamente. Como exemplo e apenas referente a quatro doenças, apresentamos no quadro
seguinte os dados comparativos do último decénio anterior ao início do PNV e do último decénio do século XX, DGS (2005).


A vacinação é praticada em Portugal com carácter universal e gratuito desde 1965, com a implementação do 1º PNV (plano nacional de vacinação).
Pretendeu-se assegurar o controlo de algumas doenças infecciosas para as quais existiam vacinas eficazes e seguras e cuja incidência e letalidade eram elevadas. Actualmente é constituído por um esquema vacinal composto por vacinas contra a poliomielite, difteria, tétano, tosse convulsa, tuberculose, sarampo, parotidite, rubéola, hepatite B e o haemophilus Infuenzae tipo B.
Mais recentemente, em 2006, é introduzida a vacina contra o meningococo C.
Neste momento, e após milhões de crianças e adultos vacinados, verifica-se um elevado numero de indivíduos imunizados, estando controladas ou eliminadas as doenças abrangidas pelo PNV. Contudo, ainda existem alguns grupos susceptíveis, grupos étnicos que não aceitam a vacinação e, apesar de durante a infância não contraírem as doenças pela imunidade de grupo garantida pelas crianças vacinadas, podem contrai-las na juventude ou idade adulta.
No entanto, relativamente ao tétano não existe imunidade de grupo, a imunidade contra a toxina tetânica é apenas induzida pela vacinação. Estudos realizados pela DGS, indicam, que decresce a partir dos 40 anos o nº de indivíduos protegidos contra a toxina do tétano, o que os faz ser susceptíveis.

O que é afinal a vacina e como funciona?
A vacina é um produto derivado ou quimicamente idêntico ao agente infeccioso causador de doença, que depois de inoculado no organismo humano vai provocar imunidade para uma determinada doença, através de um mecanismo idêntico ao desencadeado pela própria infecção natural, produzindo anticorpos específicos.
A vacinação vai desencadear uma resposta do sistema imunitário, mas sem causar doença.

Se não está vacinado, faça-o… pois a vacinação é gratuita e não custa nada! Os seus filhos agradecem….

Ondas de Calor

Tereza Costa, Estudante de enfermagem do 4º da E. S. Enf. C. – Pólo A

A exposição a calor intenso durante vários dias consecutivos – ondas de calor – é uma agressão para o organismo, podendo levar à desidratação, ao agravamento de doenças crónicas, a um esgotamento, ou a um golpe de calor (situação muito grave e que pode provocar danos irreversíveis à saúde, ou até mesmo a morte). Saiba como proteger-se!

São mais vulneráveis ao calor:
- As crianças nos primeiros anos de vida;
- As pessoas idosas, as pessoas acamadas e as pessoas obesas;
- Os portadores de doenças crónicas, nomeadamente doenças cardiovasculares, respiratórias, renais, diabetes e alcoolismo.

Para a prevenção dos efeitos do calor a Direcção Geral de Saúde recomenda:
- Aumentar a ingestão de água, mesmo sem ter sede;
- Devem evitar-se bebidas alcoólicas, gaseificadas, com cafeína, ou ricas em açúcar, porque podem provocar desidratação;
- Devem fazer-se refeições leves e mais frequentes. São de evitar as refeições pesadas e muito condimentadas;
- Evite a exposição directa ao sol, em especial entre as 11h e as 16h. Sempre que se expuser ao sol, ou andar ao ar livre, use protector solar, com um índice de protecção maior ou igual a 15 nos adultos, e igual ou superior a 20 nas crianças e pessoas de pele clara e sensível;
- Sempre que ande ao ar livre, deve usar chapéu, de preferência de abas largas, óculos escuros, roupa solta e de cores claras;
- Evite a permanência em viaturas expostas ao sol, principalmente nos períodos de maior calor. Nunca deixe crianças, doentes ou pessoas idosas dentro de veículos expostos ao sol. Leve água suficiente para a viagem;
- Sempre que possível, diminua esforços e repouse frequentemente em locais à sombra, frescos e arejados;
- Evite o calor dentro das habitações. Corra as persianas ou portadas e mantenha o ar circulante dentro de casa;
- Não hesite em pedir ajuda a um familiar ou a um vizinho no caso de se sentir mal com o calor;
- Informe-se periodicamente sobre o estado de saúde das pessoas isoladas, idosas, frágeis ou com dependência que vivam perto de si e ajude-as a protegerem-se do calor;
- As pessoas idosas e os bebés não devem ir à praia nos dias de grande calor. As radiações solares podem provocar queimaduras da pele e diminuem a capacidade da pele para arrefecer.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Cancro do Testículo


Andreia Rocha, Enfermeira Graduada do Centro de Saúde de Eiras



Trata-se do desenvolvimento anormal e descontrolado das células do testículo, levando ao aparecimento de massas que podem comprometer a sua forma e as suas funções.
É responsável por apenas 1% dos cancros no homem, contudo, a sua incidência está a aumentar e é o tumor maligno mais comum entre os jovens (dos 15 aos 35 anos).

Os testículos são duas glândulas de forma oval e consistência macia que se encontram dentro do escroto (bolsa de pele que os envolve), onde se movem livremente. São responsáveis pela produção de esperma e das hormonas sexuais masculinas.
Quando surge alguma alteração a nível da forma, consistência ou tamanho do testículo, deve ser sempre motivo de esclarecimento clínico da situação.

As causas deste tipo de cancro são desconhecidas, mas há estudos que sugerem que têm mais tendência para esta doença os homens:
o que nasceram com os testículos não descidos (dentro da cavidade abdominal);
o cujas mães tomaram, durante a gravidez, certos medicamentos para prevenir o aborto;
o sujeitos a traumatismos testiculares violentos ou repetidos;

As possibilidades de cura são tanto maiores quanto mais precoce for o diagnóstico e a melhor forma de o conseguir é consciencializar os homens a fazerem periodicamente a observação e palpação testicular.

Como fazer o auto-exame dos testículos:
o Uma vez por mês;
o Após o banho;
o Segurar cada testículo com ambas as mãos e deixá-lo deslizar suavemente entre o polegar e os outros dedos;

São estes os sinais e sintomas a que se deve atender:
o Caroço ou irregularidade num dos testículos;
o Aumento de tamanho de um dos testículos;
o Sensação de peso, dor ou desconforto no escroto;
o Dor tipo “moedouro”nas virilhas e ao fundo do abdómen;
o Aumento de tamanho ou de sensibilidade na zona mamária;
O facto de surgirem alguns destes sintomas não indica a existência certa de cancro. Na maioria das vezes têm outras causas, contudo, devem levar a uma avaliação médica.

O tratamento depende do tipo e do estadio do tumor, mas as hipóteses são a cirurgia, a radioterapia e a quimioterapia.
A remoção cirúrgica do testículo afectado não implica que o homem venha a ficar estéril ou mesmo impotente, visto que as funções continuam a ser desempenhadas pelo outro testículo. Além disso, o testículo removido é substituído por uma prótese, pelo que a vida sexual se pode manter normalmente.
É muito alto o índice de cura do cancro testicular. Exemplo disso é o ciclista norte-americano Lance Armstrong, que foi tratado a um tumor testicular avançado e hoje se encontra curado, tendo já vencido a volta à França durante três anos seguidos, após a cura.
Após o tratamento é muito importante um controle regular durante vários anos. O cancro do testículo raramente reaparece se o doente estiver livre da doença por três anos.

terça-feira, 17 de junho de 2008

A utilização de Medicamentos




Dr. Luiz Miguel Santiago, MD Chefe de Serviço no Centro de Saúde de Eiras


Cerca de 75% das consultas de Clínica Geral/Medicina Familiar terminam em prescrição de medicamentos, sendo que cerca de 80% dos utentes consideram ter sido informados da necessidade de serem tomados medicamentos, tendo participado na decisão de os tomar.

Quando inquiridos, 97,2% dos doentes com Tensão Arterial Alta, referem estar a sua saúde dependente do(s) medicamento(s) que tomam, preocupando-se com possíveis efeitos futuros dos medicamentos 59,4%.
Na mesma amostra 34,3% dos inquiridos referem ser, para eles, os medicamentos um mistério e 61,8% refere ter preocupações com a possibilidade de vir a ficar dependente dos mesmos.

Ao mesmo tempo, num outro inquérito, 66,7% dos respondentes não consideravam que os médicos receitassem demasiados medicamentos, sendo que 40,7% diziam que os médicos prescreveriam menos medicamentos se estivessem mais tempo com os doentes.

Assim sendo, como interpretar a utilização de medicamentos quando, ainda por cima, nenhum médico pode assegurar a segurança completa de um medicamento, quanto mais pela associação de vários medicamentos ao mesmo tempo?!

Haverá assim uma tão elevada diferença entre o que os médicos podem oferecer e o que os doentes querem ter?

Estarão os doentes a querer tomar medicamentos para poderem continuar a fazer o que bem querem e lhes apetece, julgando que serão aqueles a resolução dos seus problemas sem um pequeno investimento seu?

Esperarão os médicos que pelo receituário prescrito, os quadros possam desaparecer só pela acção destes, dado que já não conseguem passar mais informação, ou porque concluem que esta já não é mais percebida?

Que razão presidirá ao facto de o utente comprar todos os medicamentos, ou apenas o que lhe apetece de uma receita?

Parece então, que apenas pela boa relação entre médico e doente em que, sem consumismo excessivo, com responsabilização mútua dos papéis – o médico percebendo e orientando o paciente e este cumprindo – mas ambos dialogando, poderá haver resultados em saúde.

O consumismo excessivo pode levar àquela história do pastor e do lobo, ou seja, quando de facto houve lobo já ninguém ajudou… até porque o médico é apenas um conselheiro e alguém que pode ajudar a perceber os problemas e a desenhar uma boa táctica para atingir o objectivo desejado.
A qualidade de vida, o não ter dores, o esperar que os medicamentos sarem tudo, o querer que alguém nos resolva os problemas do quotidiano, pode ser um desejo inatingível sem a compreensão do que se está a passar e sem pistas para a correcção do problema pelos nossos próprios meios.
Será possível?

CENTRO DE SAÚDE DE EIRAS
TELF. 239499500

domingo, 15 de junho de 2008

Terapias Complementares


Anabela Baptista, Enfermeira Especialista em Saúde Infantil




Quando o homem, apesar da incessante busca, não encontra respostas para as suas questões de saúde na medicação e orientação tradicional, normalmente parte em busca das orientações e terapêuticas ditas não convencionais, complementares ou alternativas, virando as costas aos métodos tradicionais e por vezes reclamando da sua falência e contestando os seus resultados. Normalmente, faz o mesmo processo repetidas vezes, sem sequer dar tempo a que a terapêutica tenha tempo de actuar ou mesmo não questionando a si próprio se os seus hábitos de vida ou temperamento, serão os mais adequados para debelar a enfermidade em questão.
Falar em terapias complementares, assunto que nos tempos correntes se encontra tão em voga, faz sentido sempre que o homem for suficientemente consciente e honesto consigo próprio para preservar a sua saúde e participar no seu próprio bem-estar físico, psíquico e espiritual.
Assim, as terapias não convencionais, complementam as técnicas utilizadas formalmente, revitalizando práticas utilizadas durante muitos anos pelos nossos ancestrais, pois o seu uso ao longo dos tempos confirmou a sua utilidade. Só fazem sentido se trabalharem em conjunto e sem estarem de costas voltadas, pois o importante continua a ser o objectivo comum: o bem-estar físico, psíquico, espiritual e social do utente.
Se analisarmos os nossos antepassados mais recentes, recordamos decerto, práticas por eles utilizadas que continham fundamento científico, embora fossem utilizadas empiricamente. Lembraremos também que a maioria dos nossos medicamentos teve como origem as espécies vegetais.
Quase se perde no tempo a prática deste tipo de terapias para o alívio de sintomatologia incómoda, sendo muito diversas as suas metodologias, tal como os praticantes que nos deixaram estes legados. Assim, neste momento, podemos escolher complementar os nossos tratamentos com práticas de acupunctura, homeopatia, massagens terapêuticas, massagens biodinâmicas, reflexologia, tai chi, fitoterapia entre outras, que possam aliviar ou abrir novos caminhos para uma melhor vivência do nosso dia a dia.
Como tudo na vida, impera o bom senso e antes de nos colocarmos à mercê de uma técnica que desconhecemos ou com a qual não temos muito a certeza de ser para nós a mais indicada, deveremos verificar a credibilidade do técnico em questão, se possível ler e informarmo-nos sobre a técnica, qual a sua finalidade e aplicabilidade principal e colocar todas as questões a fim de esclarecermos todas as nossas dúvidas, isto antes de iniciarmos qualquer sessão.

Contacte a sua Equipa de Saúde/ Centro de Saúde, pois nele encontrará sempre alguém habilitado e disponível para o ajudar/ orientar na sua escolha.

CENTRO DE SAÚDE DE EIRAS
TELF. 239499500